Psicologia Vocacional

Síndrome de Bournout em Profissionais de Psicologia

Joana Valente

Introdução

O síndrome de Burnout é um flagelo de impacto silencioso, muitas vezes difícil de detectar, quer por terceiros quer pelo próprio. É caracterizado por um estado debilitante das habilidades pessoais, sociais e acima de tudo profissionais do indivíduo afectado.

Pelas suas características, é muitas vezes menosprezado, sem que se tenha a verdadeira percepção da abrangência deste fenómeno.

É, portanto, de vital importância para a Psicologia, perceber e explicar as implicações que o síndrome de Burnout assume.

Desta forma, decidimos abordar este tema devido à sua pertinência actual, principalmente para os profissionais de Psicologia que, face às exigências emergentes lhe estão cada vez mais vulneráveis.

Pretende-se com este trabalho perceber o síndrome de Burnout na actividade profissional do psicólogo, bem como as componentes envolventes e alertar para a sintomatologia muitas vezes imperceptível.

Posto isto este tema será abordado nas seguintes vertentes:

o   Distinguir stresse ocupacional de Burnout, dois fenómenos comummente confundidos;

o   Explicitar os sintomas de alerta do síndrome de Burnout;

o   Abordar o Burnout nos profissionais de Psicologia fazendo referência às condições facilitadoras e causas do mesmo, bem como às estratégias de Coping adoptadas e às consequências deste síndrome caso estas últimas não sejam efectivas;

o   Definir o perfil dos psicólogos com síndrome de Burnout;

o   Analisar diferenças na incidência do síndrome de Burnout relativamente ao género.

 

 

Enquadramento teórico

Actualmente o trabalho desempenha um papel de extrema importância na vida das pessoas, pelo que o bem-estar adquirido através da concordância entre as expectativas em relação ao trabalho e a concretização das mesmas constitui-se como um dos factores importantes para a qualidade de vida (Abreu, Stoll, Baumgardt, & Kristensen, s/d).

A relação satisfatória com o trabalho depende bastante dos suportes afectivos e sociais que as pessoas recebem ao longo da sua carreira profissional. Na ausência destes suportes afectivos as pessoas podem vivenciar um grande sofrimento, pois ao sentirem que não podem partilhar as suas dificuldades, angústias e preocupações, a sua tensão emocional aumenta, o que pode levar ao aparecimento do síndrome de Burnout ou do stresse ocupacional (Abreu, Stoll, Baumgardt, & Kristensen, s/d).

Estes dois conceitos estão relacionados com situações profissionais o que faz com que sejam frequentemente confundidos, contudo são conceitos diferentes (Abreu, Stoll, Baumgardt, & Kristensen, s/d).

 

Stresse Ocupacional

Stresse ocupacional refere-se a um tipo de stresse relacionado com situações específicas do contexto de trabalho, em que existe um elevado grau de desgaste, alguns defendem ainda que este pode derivar de uma má adaptação à mudança ou de uma tentativa fracassada para lidar com os problemas (Abreu, Stoll, Baumgardt, & Kristensen, s/d).

 

Perspectiva Histórica do conceito de Burnout

Numa tradução crua do conceito, na língua portuguesa podemos designar Burnout por “perder o fogo” ou “queimar para fora” (Codo & Vasques-Menezes, s/d).

Designa-se por “esgotamento” (Melo, Gomes e Cruz, 2000, citado em Almeida, 2002).

Numa perspectiva histórica o Burnout surgiu como uma “questão costumeira”, sendo referido no livro “Buddenbrooks” de Thomas Man (1922) e citado em “A Burnt Out Case” (1960) (Almeida, 2002).

As exigências de natureza técnica, financeira, política, burocrática e social, consideradas como limitativas às acções dos profissionais em geral e em particular aos profissionais de ajuda, tiveram uma implementação repentina e excessiva na década de 60. Tal fez com que o fenómeno de Burnout se tornasse passível de um registo superior nas ocorrências em contexto profissional, despertando assim uma maior atenção e interesse por parte dos investigadores, o que viria a implementar o conceito na comunidade científica na década de 70 com Freudenberg e Maslach como seus impulsionadores (Almeida, 2002).

Estes dois autores pretenderam chamar a atenção para o facto deste fenómeno não ser exclusivo de indivíduos que apresentassem comportamento desviante, mas sim que constitui um fenómeno comum caracterizado por esgotamento emocional, perda de motivação e comprometimento com o trabalho (Gomes & Cruz, 2004).

Esta é assim uma fase de descrição exaustiva do conceito, mais centrada na compreensão dos factores individuais subjacentes ao mesmo (Schaufeli & Enzmann, 1998 citado em Almeida, 2002).

Na década de 80 verifica-se uma estruturação e sistematização dos estudos que são mais metódicos, começando a surgir alguns modelos teóricos. Factores associados ao trabalho começam a ganhar maior interesse por parte dos investigadores (ex: satisfação, stresse, afastamento e expectativas no trabalho). Esta fase é também marcada pela construção de dois instrumentos de avaliação do Burnout: o MBI – Maslach Burnout Inventory (Maslach & Jackson, 1981, 1986) e o T.M. – Tedium Measure (Pines, Aronson & Kafry, 1981). Estes dois instrumentos foram decisivos para redefinir a conceptualização existente e a condução de metodologias mais precisas (Almeida, 2002).

Por fim, na década de 90 surgem modelos conceptuais específicos do fenómeno de Burnout, passam a ser utilizadas medidas e metodologicas mais rigorosas e surgem também os primeiros estudos longitudinais, os quais permitiram estudar o Burnout com outra profundidade (Schaufeli & Enzmann, 1998 citado em Almeida, 2002).

 

 

Definição do conceito de Burnout

Existem várias definições do conceito de Burnout. Segundo Codo e Vasques-Menezes (1999) o Burnout é o “síndrome da desistência”, na medida em que o indivíduo deixa de investir no seu trabalho e de se envolver emocionalmente com o mesmo. Na opinião de Capel (1987), Huberman e Vandenberghe (1999), Kyriaou (1987), Pierce e Molloy (1990), Schwab, Jackson e Schuler (1986), Schwab (1995) o Burnout caracteriza-se como um reacção extrema ao stress profissional de carácter cumulativo e prolongado, que tem consequências a nível do bem-estar físico e psicológico dos profissionais, afecta negativamente o seu relacionamento com os colegas/clientes e a qualidade do seu trabalho e associa-se a fenómenos como o absentismo e o abandono da profissão (Pinto, Lima, & Silva, 2003). Contudo a definição mais aceite é a de Maslach & Schaufeli (1993) que diz que “o Burnout deve ser considerado como um prolongamento do stress ocupacional, sendo o resultado de um processo de longa duração, em que o profissional sente que os seus recursos para lidar com as exigências colocadas pela situação já estão esgotados” (Gomes & Cruz, 2004).

Esta definição é multidimensional e compreende três componentes. A primeira é a exaustão emocional na qual os trabalhadores percebem que os seus recursos emocionais, bem como a sua energia estão esgotados, não conseguindo dar mais de si próprios a nível afectivo. A segunda componente é a despersonalização, nesta são desenvolvidos sentimentos e atitudes negativas e de cinismo em relação às pessoas aos seus colegas de trabalho. A última componente refere-se ao envolvimento pessoal no trabalho, onde a habilidade para realizar o seu trabalho e o atendimento, o contacto com os clientes bem como com a organização, é afectada por uma tendência de “evolução negativa” no trabalho (Codo & Vasques-Menezes, s/d).

Apesar de existirem inúmeras definições de Burnout que abordam questões divergentes existem sempre, em todas elas, cinco pontos em comum. Em todas as definições são (1) contemplados sintomas como a exaustão mental e emocional, fadiga e depressão; (2) é dado ênfase aos sintomas comportamentais e mentais em vez de aos sintomas físicos; (3) estes sintomas são directamente relacionados com o trabalho; (4) os sintomas não surgem como consequência de distúrbios psicopatológicos já existentes, por último (5) a diminuição de efectividade e desempenho no trabalho ocorre devido a atitudes e comportamentos negativos (Carlotto, 2002).

 

Sintomas de Alerta do Síndrome de Burnout

Pereira (2002) após uma revisão da literatura dividiu os sintomas de alerta do síndrome de Burnout em quatro categorias: sintomas físicos (ex: fadiga constante, distúrbios do sono, enxaquecas, perturbações gastrointestinais, transtornos cardiovasculares, distúrbios do sistema respiratório, disfunções sexuais etc.); sintomas psíquicos (ex: falta de atenção e/ou concentração, alterações de memoria, sentimento de alienação, impaciência, sentimento de impotência, baixa auto-estima, depressão, etc.); sintomas comportamentais (ex: negligência ou escrúpulo excessivo, irritabilidade, incapacidade para relaxar, perda de iniciativa, aumento de consumo de substâncias, etc.); por último temos os sintomas defensivos (ex: tendência ao isolamento, absentismo, perda do interesse pelo trabalho, cinismo, etc.) (Araújo, 2008).

O Burnout em profissionais de Psicologia

Uma revisão da literatura relativamente ao Burnout nos psicólogos, permite-nos constatar que a investigação nesta área é bastante reduzida e essencialmente teórica (Almeida, 2002).

Existem vários aspectos que fazem com que os psicólogos estejam mais propensos ao síndrome de Burnout. Esta propensão começa logo pela formação do psicólogo, que exige um estudo aprofundado e prolongado e uma actualização constante, o que pode provocar por vezes sentimentos de insegurança e ansiedade (Benevides-Pereira & Moreno-Giménez, 2003).

Outra das características que faz com que os profissionais de psicologia sejam um grupo de risco é o facto de o compromisso de ajudar o outro puder ultrapassar os limites pessoais, o que pode gerar uma indisponibilidade para perceber que tem algum problema ou que precisa de apoio (Araújo, 2008).

Este facto é apoiado por Kilburg (1986) que refere que “os profissionais de Psicologia podem ser os seus piores inimigos, quando resistem em admitir que se encontram em dificuldades e que necessitam de ajuda. As razões para a tendência em negar a existência de um problema começam, desde logo, pela própria formação dos psicólogos, que consiste basicamente em vários anos de trabalho longo e árduo nas aprendizagens curriculares, deixando pouco tempo para a reflexão das implicações práticas, na vida de cada um, quando se tornam psicólogos” (Gomes & Cruz, 2004).

Em Portugal, o único estudo realizado sobre esta temática com profissionais de Psicologia indica que uma percentagem relevante de psicólogos vivencia elevados níveis de Burnout. Em concreto, 26,9% vivencia elevados níveis de exaustão emocional, 7,1% elevados níveis de despersonalização e 11,8% elevados níveis de redução da realização pessoal, ou seja, em Portugal, existe um número significativo de psicólogos que parece apresentar Burnout (Cruz, Gomes & Melo, 2000 citado em Almeida 2002).

 

Condições Facilitadoras do Burnout

Existem vários aspectos organizacionais e pessoais que se podem relacionar com o surgimento e desenvolvimento do burnout em psicólogos (Araújo, 2008).

Relativamente às características organizacionais são de salientar quatro aspectos. A perda de autonomia, que parece estar relacionada com altos níveis de exaustão emocional, contribui para a percepção distorcida da eficácia das suas intervenções. A sobrecarga de trabalho, que diz respeito aos excessos de solicitações profissionais, que excedem as capacidades do psicólogo. O relacionamento com os colegas, refere que a falta de suporte por parte da equipa está relacionada com baixa satisfação no trabalho e altos índices de exaustão emocional. Por último temos a falta de trabalho em equipa, segundo Hykräs (2005), supervisões clínicas são consideradas benéficas para estes profissionais (Araújo, 2008).

No que se refere às características pessoais estas são seis, contudo estas não podem ser consideradas, por si só, desencadeadoras de Burnout, mas sim facilitadoras ou inibidoras dos agentes stressores. A idade, segundo Maslach, Schaufeli e Leiter existe uma maior incidência desta síndrome em profissionais mais jovens, aproximadamente até aos 30 anos. O género, na maior parte dos estudos as mulheres têm apresentado altos índices de exaustão e os homens de despersonalização. O nível educacional, pessoas com um nível educacional mais elevado têm mais probabilidade de sofrer de Burnout. O estado civil, de acordo com Burke e Greenglass (1989), pessoas casadas ou com um relacionamento estável têm menor probabilidade de sofrer de Burnout, contrariamente ao que acontece aos solteiros, viúvos ou divorciados. Os filhos, psicólogos com filhos apresentam menor índice de stresse, contudo este factor não é unânime entre os vários autores. A personalidade, de acordo com Pereira (2002) as características de personalidade interagem de modo complexo com os agentes stressores tanto no sentido de incrementá-los ou no sentido contrário (Araújo, 2008).

 

Causas do Burnout em Psicólogos

São diversas as causas apontadas como responsáveis para o Burnout nos psicólogos. Estas podem ser intrínsecas à profissão e inerentes ao indivíduo ou a determinados mediadores, os quais passamos a referir.

“Excesso de trabalho, falta de supervisão e de oportunidades de formação, falta de apoio e suporte, problemas e conflitos interpessoais no local de trabalho, excesso de responsabilidades face à formação recebida, dúvidas e problemas éticos e profissionais, falta de reconhecimento e participação na tomada de decisões, falta de definição de funções e clarificação de papéis e remuneração insuficiente, falar em público e comportamento do cliente como fonte de stresse” (Almeida, 2002).

 

 

Estratégias de Coping

No que se refere às estratégias de coping, nos profissionais de Psicologia, segundo Almeida (2002), estas são semelhantes às dos professores, sendo que as estratégias de coping mais utilizadas por estes profissionais, nomeadamente pelos psicólogos algarvios, são as estratégias de controlo, seguidas das de evitamento, sendo as estratégias de gestão dos sintomas as menos utilizadas.

Neste estudo verificou-se a existência de diferenças significativas na utilização de estratégias de coping, dependendo da área do psicólogo. Os psicólogos da área Clínica e da Saúde, utilizam de forma mais significativa as estratégias de gestão de sintomas, parecendo que têm uma certa tendência para utilizar as estratégias que provavelmente sugerem aos seus pacientes. As estratégias preferidas de gestão dos sintomas são: praticar desporto, comer, assistir a acontecimentos desportivos e culturais ou comunitários, beber, mudar a aparência física (ex: arranjar o cabelo), receber massagens, sauna, actividade sexual ou viajar (Almeida, 2002).

 

Consequências do Burnout em Psicólogos

No que se refere às consequências, normalmente as queixas dos psicólogos relatam sentimentos de isolamento e de solidão, utilização excessiva das aptidões cognitivas, desgaste emocional e perda de espontaneidade, o esgotamento emocional derivado da constante necessidade de ser empático, problemas de identidade profissional, abuso de substâncias, depressão e tendências suicidas (Almeida, 2002).

 

Perfil dos psicólogos com Síndrome de Burnout

Num estudo realizado com 562 psicólogos de saúde mental, verificou-se que os psicólogos que apresentam Burnout são na sua maioria relativamente jovens, com um salário baixo, com sentimento de falta de controlo no contexto terapêutico e envolvem-se excessivamente com os pacientes (Berlim e col., 1988, citado em Almeida, 2002).

Num outro estudo feito em Portugal, com 243 psicólogos, obteve-se o seguinte perfil: mais de 80% dos psicólogos que apresentam exaustão emocional são do sexo feminino, aproximadamente de 70% têm a sua actividade no âmbito da psicologia escolar; mais de 80% exerce a profissão há mais de dois anos e cerca de 50% demonstra um enorme desejo de abandonar a actividade actual. Relativamente à dimensão de despersonalização, mais de 70% são mulheres, cerca de 50% trabalha no contexto da reinserção social e da psicologia social e das organizações; 80% exerce a profissão há mais de dois anos e aproximadamente 30% não voltava a escolher o curso de psicologia se tivesse uma nova oportunidade de escolha e demonstram também um elevado desejo de abandonar o emprego. Ainda, no que se refere à realização pessoal, também 70% são do sexo feminino; cerca de 70% exerce docência no ensino superior, psicologia social e das organizações e psicologia escolar; mais de 80% exerce há mais de dois anos; 70% exerce a actividade no sector público, 20% não voltaria a optar pelo curso de psicologia e 30% manifesta um elevado desejo de abandonar o emprego actual (Almeida, 2002).

 

Síndrome de Burnout e diferenças entre géneros

A influência do género no Burnout não obtém consenso por parte dos autores, na medida em que alguns autores não encontram qualquer relação entre ambos (Maslach e Jackson, 1985). Outros autores referem que os indivíduos do sexo feminino são mais vulneráveis ao Burnout pela necessidade de conciliar a vida profissional com a vida familiar (Jesus & Costa, 1998; Golembiewski e col., 1993). Porém, outros autores, defendem que os homens têm níveis mais altos de Burnout do que as mulheres (Wallot, 1985; Cahoon & Rowney, 1984; Price & Spence, 1994).

Num estudo realizado por Gomes e Cruz (2004), verificou-se que os psicólogos referem dificuldades no que toca ao serem solicitados para realizar mais trabalho para além do que seria aceitável e desejável, este facto representa uma fonte de mal-estar para 55% das mulheres e para 45% dos homens. A preocupação dos psicólogos no que se refere às perspectivas de progressão na carreira profissional, ao salário baixo e à falta de condições materiais para realizarem de forma adequada as suas funções afecta 52% das mulheres e 42% nos homens (Almeida, 2002).

Num estudo realizado por Almeida (2002), não foram encontradas diferenças significativas em relação à variável género no que se refere ao Burnout, à semelhança dos estudos efectuados por Maslach e Jackson (1981, 1985) (Almeida, 2002).

Ainda num estudo realizado com 150 psicólogos de uma cidade do Texas, verificou-se que a idade, o sexo e o nível de educação e outras características demográficas não distinguem os psicólogos com Burnout dos menos exaustos. Isto porque o Burnout é idiossincrático, está associado à maneira como o psicólogo se sente ou não satisfeito com as exigências do seu contexto de trabalho (Raquepaw & Miller, 1989 citado em Almeida 2002).

“Portanto, não há unanimidade em relação ao género e a sua relação com o Burnout, sendo o género uma variável controversa” (Almeida, 2002).

 

 

 

 

Conclusão

Com este trabalho podemos concluir que o síndrome de Burnout é um fenómeno bastante actual, devido às constantes exigências emergentes da sociedade, que envolve inúmeras componentes e que não existe ainda consenso no que toca às causas para o seu aparecimento.

Este é um fenómeno idiossincrático pois depende da forma como o indivíduo percepciona as exigências do seu contexto profissional.

Percebemos ainda que os psicólogos são um grupo de risco pois existem vários aspectos que fazem com que os psicólogos estejam mais propensos ao síndrome de Burnout, como por exemplo o facto de o compromisso de ajudar o outro puder ultrapassar os limites pessoais, o que pode gerar uma indisponibilidade para perceber que tem algum problema ou que precisa de apoio, e ainda a própria formação enquanto psicólogo.

É de extrema importância ter em atenção os sintomas de alerta do Burnout pois, como já referimos estes são por muitas vezes imperceptíveis e para podermos actuar de uma forma preventiva e não de uma forma remediativa, face à irreversibilidade das consequências do Burnout.

É ainda de referir que, através de uma breve pesquisa/referência feita à incidência deste síndrome em relação ao género, concluímos que não existe um coonsenso entre os autores, no que toca à sua importância. Apesar disso, a maioria dos estudos o género, tal como todas as outras variáveis demográficas, não se demonstra um factor de grande importância, na medida em que a incidência deste síndrome não apresenta grandes níveis de incidência num determinado género em detrimento do outro.

Por último é importante a necessidade de quebrar a cadeia facilitadora do Burnout, o que é extremamente difícil pois este fenómeno envolve, entre outras, características inerentes ao próprio indivíduo.

 

 

Referências Bibliográficas

Abreu, K. L., Stoll, I. R., Baumgardt, R. A., & Kristensen, C. H. (s/d). Estresse Ocupacional e Síndrome de Burnout no Exercício Profissional da Psicologia. Brasil.

Almeida, M. H. (2002). Stresse, Burnout e Coping nos Psicólogos do Algarve. Faro.

Araújo, C. G. (2008). A Saúde Mental está doente!: a Síndrome de Burnout em Psicólogos que trabalham em Unidades Básicas de Saúde. São Paulo, Brasil.

Benevides-Pereira, A. M., & Moreno-Giménez, B. (Agosto de 2003). O Burnout e o Profissional de Piscologia. Revista Eletrônica InterAção Psy , 1, pp. 68-75.

Carlotto, M. S. (2002). A síndrome de burnout e o trabalho docente. Psicologia em Estudo , 21-29.

Codo, W., & Vasques-Menezes, I. (s/d). O que é o Burnout? Brasil.

Gomes, A. R., & Cruz, J. F. (2004). A experiência de stress e “burnout” em psicólogos portugueses: um estudo sobre as diferenças de género. Psicologia. Teoria, investigação e prática , pp. 193-212.

Melo, B. T., Gomes, A. R., & Cruz, J. F. (1999). Desenvolvimento e Adaptação de um Instrumento de Avaliação Psicológica do Burnout para os Profissionais de Psicologia. Avaliação Psicológica: formas e contextos , VI . Braga: APPORT- Associação dos Psicólogos Portugueses.

Pinto, A. M., Lima, M. L., & Silva, A. L. (2003). Stress profissional em professores portugueses: Incidência, preditores e reacção de burnout. Psychologica , pp. 181-194.

 

 

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A Musicoterapia

Opinião
Notícias da Música 13

 

A Musicoterapia

Tendo sido realizada na edição anterior uma breve abordagem e reflexão acerca da Psicologia da Música, julgo agora pertinente dar seguimento ao tema, queconsidero
um domínio extremamente interessante e de uma utilidade imensa face ao panorama da nossa sociedade, dar a conhecer mais especificamente aquilo que é a Musicoterapia.
Genericamente, a musicoterapia é a utilização da música e/ou dos seus elementos constituintes, ritmo, melodia e harmonia, por um musicoterapeuta qualificado, com um indivíduo ou um grupo, num processo destinado a facilitar e promover a comunicação, o
relacionamento, a aprendizagem, a mobilização, a expressão, a organização, bem como outros objectivos terapêuticos relevantes,com o objectivo de atender às dificuldades físicas, emocionais,mentais sociais e cognitivas do indivíduo. Assim, a musicoterapia busca desenvolver potenciais e ou restaurar funções do indivíduo para que este alcance uma melhor qualidade de vida através de prevenção, reabilitação ou até mesmo tratamento.
A musicoterapia, como disciplina teve início no séc. XX após as duas guerras mundiais, quando músicos amadores e profissionais passaram a tocar nos hospitais de vários países da Europa e dos E.U, para os soldados veteranos, tendo sido percepcionadas, por
parte dos médicos e enfermeiros, melhoras muito significativas
no bem-estar dos pacientes.
A musicoterapia pode ser destinada a uma gama variada de pacientes, entre os quais estão incluídas pessoas com dificuldades motoras, autistas, pessoas com deficiência mental, paralisia cerebral, dificuldades emocionais, pacientes psiquiátricos,
gestantes e idosos. A música trabalhas os hemisférios cerebrais promovendo o equilíbrio entre o pensar e o sentir, resgatando a afinação do indivíduo, de forma coerente com o se “diapasão interno”. A melodia trabalha a instante emocional, a harmonia a racional, a inteligência. E finalmente a força organizada do ritmo provoca respostas motoras, que através da pulsação dá suporte para a improvisão de movimentos, para a expressão corporal. Alguns tipos de música podem servir de guia para as necessidades de cada pessoa. Bach, por exemplo, pode ajudar muito na aprendizagem e na memória, Rossini, com Guilherme Tell e Wagner, com as Walkirias, ajudam especialmente no tratamento de pacientes com depressão. As valsas de Strauss podem contribuir e muito, para os momentos em que se necessita de um maior relaxamento, estando bem indicadas para salas de parto. As marchas são um tipo de música que transmite energia,
tão importante e escassa em áreas hospitalares de pacientes em
convalescença… Um bom exemplo disso tem sido o uso da musicoterapia, no auxílio do tratamento da doença de Alzheimer. Doença de carácter progressivo e degenerativo que tem, de entre os seus primeiros sinais, o esquecimento, a dificuldade de estabelecer
diálogos, as mudanças de atitude e a diminuição da concentração e da atenção. A musicoterapia ajuda a estimular a memória, a atenção e a concentração, o contacto com a realidade e o esforço da identidade.
Assim, parece-me pertinente relembrar e induzir uma pequena reflexão aos leitores, no que concerne às utilidades e funcionalidades da música, ajuda, pois é um elemento com que
todos nós temos contacto. Através dos tempos, cada um de nós já teve, e ainda tem, a música presente na sua vida.
A música pode também, em certos casos, ultrapassar as fronteiras da intervenção clínica propriamente dita, para se situar em projectos de promoção e manutenção de bem-estar, dirigidas a pessoas saudáveis e também a pessoas que, por padecerem de condições crónicas, procuram cuidar do seu bem-estar de forma activa e adaptada às suas circunstâncias de vida. Como tal, olhemos para a música não apenas como forma lúdica ou de entretenimento, mas olhemos para ela a títulointerventivo, e sobretudo preventivo após o conhecimentofornecido acerca das suas potencialidades…

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