McCrae: Teoria dos Traços e dos Factores

McCrae: Teoria dos Traços e dos Factores

Joana Valente

Gambelas, Junho de 2010

Introdução

Em muitas ocasiões ouvimos, e já utilizamos, muitas expressões como “tem muita personalidade” ou “tem uma personalidade muito forte”, referindo-se a pessoas que se mostram dominadoras, rígidas, pouco transigentes, bem como o inverso.

Em Psicologia, o termo personalidade possui um significado e um alcance muito diferente, sendo que afirmações como as anteriores não têm cabimento nesta disciplina. Para a Psicologia, todos toda a gente possui uma personalidade (excepto os que sofrem da perturbação da personalidade múltipla) e esta não é mais forte nem maior em função do nosso comportamento. Assim, tal como os objectos têm cor, mesmo mostrando diferentes tonalidades, todos os seres humanos possuem uma personalidade ainda que esta se manifeste de modo diferente.

O presente relatório surgiu no âmbito da unidade curricular de Teorias da Aprendizagem e da Personalidade, que ao longo do semestre proporcionou conhecimento das principais teorias da personalidade sobre o sujeito humano, independentemente do seu contexto de aplicação, tendo fornecido as bases necessárias para o entendimento do comportamento humano, estudando-se a pessoa na sua totalidade.

Deste modo, o presente trabalho teve por objectivo geral, com base na teoria de McCrae, na sua história de vida (pessoal e profissional) analisar a sua personalidade à luz da sua própria teoria.

Assim, primeiramente serão descritos os principais pontos da história de vida de McCrae, de forma a melhor se compreender todo o seu envolvimento, e numa segunda fase, após reflexão e compreensão do seu percurso pessoal e profissional, será feita uma análise à sua personalidade à luz da teoria explicativa da personalidade que este mesmo desenvolveu. Por fim, e de uma forma conclusiva, será feita uma análise e reflexão, procurando relacionar a sua personalidade com a teoria que este desenvolveu.

Descrição da Teoria de McCrae

Descrição dos 5 Factores de Personalidade

A Teoria de McCrae, baseia-se na teoria dos traços de Eysenck, concordando também que os traços de personalidade são bipolares, e seguem uma distribuição gráfica em forma de sino. Isto é, grande parte das pessoas pontua no meio, sendo que apenas algumas pessoas pontuam nas extremidades. Os dois traços de personalidade mais fortes eram Neuroticismo (N) e Extroversão (E), tal como os considerava e definia Eysenck.

O seu modelo, trata-se assim de uma organização abrangente dos traços de personalidade.

As pessoas com pontuações elevadas de neuroticismo tendem a ser ansiosas, temperamentais, auto- piedosas, auto -conscientes, emotivas e vulneráveis a distúrbios associados ao stress, ao passo que aquelas com índices de neuroticismo baixos, normalmente são calmas, equilibradas, auto -contidas e não emotivas.

Os indivíduos com índices elevados em extroversão tendem a ser afectivos, joviais, falantes, sociáveis e gostam de se divertir, contrastando com as pessoas com pontuações baixas, que têm propensão a serem reservadas, quietas, solitárias, passivas e incapazes de expressar emoções fortes.

A abertura a novas experiências distingue as pessoas que prefere a variedade daquelas que têm uma necessidade de reclusão e que obtém conforto associando-se a coisas e pessoas familiares. Assim as pessoas com índices altos de abertura a experiências em geral são criativas, imaginativas, curiosas e liberais além de terem uma preferência pela variedade. Já as que apresentam pontuações baixas, são geralmente convencionais, pragmáticas, conservadoras e carentes de curiosidade.

A escala de sociabilidade distingue as pessoas generosas das cruéis, sendo que aquelas que pontuam com relação à sociabilidade tendem a ser confiantes nos outros, generosas, flexíveis, tolerantes e controladas. E indivíduos que pontuam na outra direcção, geralmente são desconfiados, avaros, não amigáveis, irascíveis e críticos em relação às outras pessoas.

O quinto factor, Consciencialização da relevância das tarefas, descreve pessoas que são ordeiras organizadas, ambiciosas, voltadas para a auto-realização e auto-disciplinadas. Em geral, os indivíduos que têm pontuações significativamente altas são dedicados, conscientes, pontuais e perseverantes. Por outro lado, as pessoas que obtêm pontuações baixas neste tópico, tendem a ser desorganizadas, negligentes, preguiçosas, sem metas e inclinadas a abandonar um projecto quando este se torna difícil.

Assim a junção destas dimensões compõem os traços de personalidade do Modelo dos 5 Grandes Factores.

Descrição da Teoria

Na teoria da Personalidade de McCrae, o comportamento é previsto através da compreensão de três componentes centrais ou essenciais e de três componentes periféricos.

Os componentes centrais ou essenciais da personalidade são: Tendências Básicas, Adaptações características e auto conceito, representando todas elas processos dinâmicos com influência causal. A biografia objectiva (experiências de vida), por exemplo, é o resultado de adaptações características bem como de influências externas. Além disso, as bases biológicas são a única causa das tendências básicas (traços de personalidade).

O sistema de personalidade pode ser interpretado tanto de forma transversal ( o modo pelo qual o sistema opera em qualquer ponto ao longo do tempo) quanto de forma longitudinal ( o modo pelo qual nos desenvolvemos ao  longo das nossas vidas ). Para além disso, a influência causal é dinâmica, o que significa que sofre alteração no decorrer do tempo.

Segundo McCrae, as Tendências Básicas, são um dos componentes centrais da personalidade, juntamente com as adaptações características, auto-conceito, bases biológicas, biografia objectiva e influências externas, definindo-se como a “matéria-prima universal das capacidades e disposições da personalidade que geralmente são deduzidas em vez de observadas”. Estas podem ser herdadas, impressas por experiências iniciais ou modificadas por doenças ou intervenção psicológica, mas, em qualquer período da vida de uma pessoa, definem o potencial e a direcção do indivíduo. Além dos cinco traços pessoais estáveis, as tendências básicas incluem habilidades cognitivas, talento artístico, orientação sexual e processos básicos subsequentes à aquisição da linguagem.

A essência das tendências básicas é a sua base biológica e a sua estabilidade ao longo do tempo e situações.

As Adaptações Características, referem-se às estruturas de personalidade adquiridas que se desenvolvem à medida que as pessoas se ajustam a seu ambiente.

Assim a principal diferença entre as Tendências Básicas e as Adaptações características é a sua flexibilidade, pois enquanto as tendências básicas são bastantes estáveis, as adaptações características podem ser afectadas por influências externas, como habilidades adquiridas, hábitos, atitudes e relacionamentos que resultam da interacção entre os indivíduos e o seu ambiente.

Ora esta distinção entre Tendências Básicas e Adaptações Características, é precisamente a essência desta teoria, uma vez que é precisamente a distinção necessária para explicar a estabilidade da personalidade.

Todas as habilidades adquiridas e específicas, como falar, lidar com números, são adaptações características, ao passo que a rapidez com a qual aprendemos (talento, inteligência, aptidões) é uma tendência básica e aquilo que aprendemos é uma adaptação característica. Além disso as nossas disposições e tendências têm influência directa sobre as nossas adaptações características. As respostas características são moldadas por tendências básicas. Aquilo que as torna características é a sua consistência e singularidade, reflectindo desta forma a operação dos traços duradouros de personalidade.

As Adaptações Características diferenciam-se de cultura para cultura, o que explica tanto a estabilidade como a plasticidade da personalidade, pois enquanto as tendências básicas são estáveis as adaptações características oscilam.

O autor, explicou que o auto-conceito é na verdade, uma adaptação característica, embora deva ser inserido numa categoria própria pois trata-se de uma adaptação de extrema importância. Consiste no conhecimento, nas visões, nas avaliações do self, variando de uma mistura de factos da história pessoal até à identidade que dá à vida sentido de propósito e coerência. As crenças, atitudes e sentimentos que o indivíduo tem em relação a si mesmo são adaptações características no sentido que influenciam a forma pela qual alguém se comporta numa determinada circunstância.

Os três componentes periféricos são : Bases Biológicas, Biografia Objectiva e Influências Externas.

Relativamente às Bases Biológicas, a teoria de McCrae, considera uma única influência causal em relação aos traços de personalidade, a biologia. Os principais mecanismos biológicos que influenciam as tendências básicas são genes, hormonas e estruturas cerebrais. Este posicionamento das bases biológicas, elimina assim qualquer papel que o ambiente possa desempenhar na formação das tendências básicas, o que de acordo com o autor, não deve sugerir que o ambiente não tenha nenhuma participação na formação da personalidade, mas apenas que não apresenta influência directa sobre as tendências básicas.

Quanto à Biografia Objectiva, esta define-se como tudo o que a pessoa faz, pensa ou sente em toda a sua vida. Enfatiza aquilo que ocorreu nas vidas das pessoas (carácter objectivo) ao invés das suas percepções sobre as suas experiências (carácter subjectivo).

Por fim no que diz respeito às Influências Externas, as pessoas encontram-se constantemente numa situação física ou social que de certo modo influência o sistema de personalidade. A questão sobre a forma pela qual nós respondemos às oportunidades e demandas desse contexto define as influências externas. Estas respostas ocorrem em virtude das adaptações características e da sua interacção com influências externas.

Postulados Básicos

Assim, a teoria de McCrae apresenta dois postulados básicos principais: As Tendências Básicas e as Adaptações Características.

As tendências básicas, apresentam quatro postulados: individualidade, origem desenvolvimento e estrutura.

O postulado da individualidade estipula que os adultos têm um conjunto  único de traços e que cada pessoa exibe uma combinação singular de padrões de traços. A  quantidade precisa de neuroticismo, extroversão, sociabilidade, abertura a novas experiências e d e consciencialização da relevância da tarefa é única em relação a cada um de nós, e grande parte da nossa singularidade resulta da variabilidade presente no nosso genótipo

O postulado da Origem assume uma posição clara senão controversa: todos os traços de personalidade são apenas o resultado de força endógenas como a genética, as hormonas e a estrutura cerebral, e os traços de personalidade não são sinónimo de personalidade como um todo.

O postulado do desenvolvimento, afirma que os traços se desenvolvem e alteram ao longo da infância, mas na adolescência o seu desenvolvimento torna-se mais lento, e a partir do início até metade da idade adulta (por volta dos 30 anos), as mudanças da personalidade praticamente cessam.

O postulado de estrutura, afirma que os traços são organizados hierarquicamente, do mais superficial e específico, até ao mais amplo e geral.

O postulado referente às Adaptações Características, afirma que ao longo do tempo as pessoas adaptam-se aos seus ambientes, pela aquisição de padrões de pensamento, sentimentos e comportamentos conscientes com os sues traços de personalidade e adaptações anteriores. Os traços afectam a forma pela qual nos adaptamos às mudanças do nosso ambiente. Além disso as nossas tendências básicas, resultam na procura e selecção de ambientes particulares que combinam com as nossas disposições.

O segundo postulado da adaptação característica Mal Ajustamento, sugere que as nossas respostas nem sempre são consistentes com metas pessoais ou valores culturais.

O postulado plasticidade, afirma que os traços básicos podem modificar-se com o passar do tempo em resposta à maturação biológica, a alterações no meio ambiente ou a intervenções propositais.

Deste modo para o autor, as intervenções como a psicoterapia e a modificação de comportamento, podem encontrar dificuldade para modificar os traços fundamentais de uma pessoa, mas podem ser fortes o suficiente para alterar as respostas características de uma pessoa.

Biografia de Robert R.McCrae

História de Vida

Robert Roger McCrae nasceu em 28 de Abril de 1949, em Maryville, Missouri, uma cidade de 13 mil habitantes localizada aproximadamente a 160 km ao norte da cidade de Kansass. Maryville é a sede da Northwest Missouri State, o maior empregador da cidade (Feist&Feist, 2008). McCrae, o mais jovem dos filhos, cresceu com um grande interesse pelas ciências e matemática. Aquando do seu ingresso na Universidade Estadual de Michigan, decidiu estudar filosofia. Apesar de ter sido bolsista da National Merit Scholar, não estava completamente feliz com a natureza aberta e não empírica da filosofia. Depois de concluir a formação, ingressou no programa de pós-graduação da Universidade de Boston, na área da Psicologia.

McCrae, ficou intrigado com o trabalho psicométrico de Cattel, tendo ficado particularmente curioso acerca da utilização da análise factorial para encontrar um método simples de identificação dos traços estruturais encontrados no dicionário. O seu principal professor na Universidade de Boston era Henry Weinberg, psicólogo clínico, tendo apenas um interesse superficial pelos traços de personalidade, sendo o próprio McCrae que ia alimentando interna e crescentemente o seu interesse pelos traços de personalidade.

Walter Mischel, durante 1960 e 1970, questionava a noção de que os traços de personalidade eram consistentes, alegando que a situação é mais importante do que qualquer traço de personalidade (Feist & Feist, 2008).

Num comunicado pessoal, a 4 de Maio de 1999, McCrae escreveu: “Eu frequentei a escola de pós-graduação nos anos seguintes à crítica de Mischel (1968) à psicologia dos traços, e muitos psicólogos daquela época foram preparados para acreditar que os traços não eram nada mais do que um conjunto de respostas., estereótipos ou funções cognitivas, porém para mim nunca fez sentido, e as minhas primeiras pesquisas experimentais mostravam uma extraordinária estabilidade em estudos longitudinais, o que encorajava a crença de que os traços eram reais e duradouros” (Feist&Feist, 2008;pp.413).

Não obstante este comunicado, o seu trabalho de pós-graduação, sobre os traços foi um empreendimento solitário e conduzido de forma silenciosa (Feist&Feist, 2008).

Quatro anos após o início do seu programa de Ph.D., o seu destino mudou, tendo sido enviado pelo seu orientador para trabalhar como pesquisador-assistente com James Frozard, um psicólogo do desenvolvimento para orientação de adultos no estudo normativo do envelhecimento na Veterans Admnistration Outpatient Clinic em Boston. Fozard, indicou McCrae a Paul T. Costa Jr., também psicólogo da personalidade, que fazia parte do corpo docente da Universidade de Massachusetts em Boston (Feist&Feist, 2008).

Em 1976, quando finalizou o seu PhD foi contratado por Costa como director de projectos e co-investigador principal para a sua teoria sobre tabagismo e personalidade, tendo trabalhado juntos nesse projecto durante dois anos, até serem contratados pelo National Institute on Aging’s Gerontology Research Center, tendo McCrae assumido o cargo de pesquisador sénior associado, onde investigou a questão de como a personalidade está estruturada, pois a Gerentology Research Center já possuía um amplo e bem estabelecido conjunto de banco de dados sobre o adulto, tendo sido o lacal ideal para juntamente com Costa o fazer.

Apesar da sombra da influência de Mischel pairar pesadamente sobre o estudo da personalidade, e o conceito de traços ser relegado quase à categoria de tabu, Costa e McCrae conduziram os seus trabalhos sobre os traços, o que lhes conferiu um papel importante na história de quarenta anos da análise da estrutura da personalidade. A sua parceria com Costa, tem se revelado excepcionalmente produtiva, tendo publicado mais de duzentos artigos científicos, capítulos e vários livros (Feist&Feist, 2008).

De uma forma mais sumariada, o seu percurso profissional contemplou:

A nível educacional:

1971 – B.A., em Filosofia, Michigan State University
1974 – M.A., em Psicologia da Personalidade, Boston University
1976 – Ph.D., em Psicologia da Personalidade, Boston University

A nível laboral:

1974-1976 Instructor, Department of Psychology, Boston University

1975-1976 Pesquisador-assistente, Personality Research Program, Normative Aging Study, VA Outpatient Clinic, Boston, MA

1976-1978 Director de projectos e co-investigador principal, Smoking and Personality Grant, University of Massachusetts at Boston

1978-1983 Senior Staff Fellow, Gerontology Research Center, National Institute on Aging, National Institutes of Health, Baltimore, Maryland

1983-Date Research Psychologist, Gerontology Research Center, National Institute on Aging, National Institutes of Health, Baltimore, Maryland

Quanto às Sociedades:

American Psychological Association (Divisions 5, 8, and 20)
Division 20 Program Committee Chair, 1986

Division 20 Fellowship Committee Chair, 1990
Division 5 Program Committee Chair, 1992
Gerontological Society of America
International Society for the Study of Individual Differences
Society for Personality Assessment
American Psychological Society

A nível do reconhecimento científico:

1967, National Merit Scholar
1971, Woodrow Wilson Nominee
1984, Fellow, American Psychological Association (Division 20)
1991, Fellow, American Psychological Society
1992, Fellow, Gerontological Society of America
2006, Fellow, Society for Personality Assessment

Outras actividades:

1979 – present Member, Baltimore City Hospitals/Johns Hopkins Bayview Medical Center Institutional Review Board for Human Subjects Research
1981 – 1982 Editorial Board, Journal of Gerontology
1984 – 1985 Editorial Board, Journal of Personality and Social Psychology
1984 – present Editorial Board, Experimental Aging Research
1987 – 1991 Editorial Board, Journal of Personality
1988 – 1991 Editorial Board, Psychology and Aging
1989 – present Editorial Board, Journal of Personality and Social Psychology
1991 – 1996 Associate Editor, Journal of Personality
1994 – present Editorial Board, Journal of Reseach in Personality
1995 – present Editorial Board, Journal of Aging and Health
1996 – present Editorial Board, European Journal of Personality
1997 – present Editorial Board, Journal of Cross-Cultural Psychology
1999 – 2004 Associate Editor, Personality and Social Psychology Review
2003 – present Editorial Board, Psychological Assessment
2005 – present Editorial Board, Journal of Individual Differences
2007 – present Editorial Board, Social and Personality Psychology Compassv

Caracterização da Personalidade de McCrae

De acordo com a perspectiva de McCrae, os cinco factores podem ser de­finidos como agrupamentos de traços inter-relacionados. Através da descrição do posicionamento do sujeito nos cinco facto­res, ob­tém-se um esquema compreensivo, que sintetiza o seu estilo emo­cional, inter­pessoal, experiencial, atitudinal e motivacional.

Assim tendo em conta a história de vida e profissional de McCrae, terntar-se-á posiciona-lo nestes cinco factores.

No que diz respeito ao Factor Extroversão, dados os inícios do seu trabalho de pós-graduação sobre os traços ter sido solitário, e silencioso, e sem muito alarde, bem como o facto de ser uma pessoa bastante sóbria, que se posiciona face às coisas, não abandonando os seus pontos de vista poderá-se inferir que McCrae se situa mais direccionado para o pólo negativo deste factor.

Quanto ao Factor Neuroticismo, poder-se-ia à semelhança da maioria das pessoas, situa-se no meio, pois o seu percurso de vida não nos permite situá-lo seguramente em nenhum pólo, no entanto hipoteticamente o facto de ser uma pessoa reservada, calma, e equilibrado poderia apontar para o pólo negativo.

No que respeita ao Factor Abertura à Experiência, sem dúvida alguma que poderíamos posicionar McCrae no pólo positivo, dada a curiosidade que o fez levar a cabo inúmeras investigações, bem como dado o seu heterogéneo percurso profissional, tal como ele mesmo descreveu: “a abertura encontra-se na amplitude, profundidade e per­meabilidade da consciência e na necessi­dade contínua de alargar e exa­minar a experiência” (s/d, citado por McCrae, 1992, p. 64), ora facilmente identificamos MacCrae nesta frase, pois a sua curiosidade é bastante evidente. Também o seu interesse pela música poderá aqui ser considerado.

No que concerne ao factor Amabilidade, poderíamos posicionar McCrae mais próximo do pólo negativo, pois é evidente a sua disposição a lutar pelos direitos humanos e o seu pensamento céptico e crítico, na análise ob­jectiva das ciências, sendo um facto que apoia esta afirmação, o seu descontentamento com a natureza da filosofia apesar de bolsista da National Merit Scholar quando estudou filosofia, bem como o seu percurso relativamente solitário.

Finalmente, quanto à Consciencialização da Relevância das Tarefas, são bastantes e pertinentes as evidências que nos permitem situa-lo no pólo positivo deste factor. Um exemplo são todas as suas publicações, estudos, investigações levadas a cabo a constante revisão da sua teoria, bem como pelo esforço que a própria teoria representou e representa.

Numa descrição mais pormenorizada da sua personalidade, tendo em conta o seu posicionamento nos 5 factores, procurar-se-á caracterizar de um modo compreensivo o seu estilo interpessoal, emocional, experiencial, atitudinal e motivacional.

Relativamente ao bem-estar emocional, podemos caracterizar McCrae como um indivíduo que parece não experimentar muito afecto negativo ou positivo. Pode perecer estar à deriva, contudo sem se desorientar. É uma pessoa tranquila, plácida e pouco ansiosa, não sendo muito responsivo a situações muito emotivas.

No que concerne o seu estilo interpessoal, podemos inferir que McCrae seja um indivíduo modesto e discreto. Em grupo poder-se-á sentir desconfortável com papéis de liderança, porém é uma pessoa que se envolve facilmente em projectos meritórios. Aceita geralmente todas as solicitações que lhe são dirigidas, sendo tolerante e cumpridor.

Finalmente, quanto ao seu carácter, podemos referir que McCrae é um indivíduo ambicioso, disposto a lutar por aquilo em que acredita. É bastante determinado e concentrado no alcance dos seus objectivos. No confronto com barreiras aos seus objectivos é extremamente esforçado e lutador. Ama a humanidade, as parece ser bastante céptico, severo deliberado, sério e rígido.

Conclusão

Após a análise da personalidade de McCrae facilmente constatamos a existência de diversos paralelismos com a própria teoria. Quer isto dizer, que foi possível concluir que a sua personalidade está bastante relacionada com a sua teoria.

Antes de mais, podemos relacionar o seu interesse pelas ciências e pela matemática com a sua utilização de técnicas analítico-factoriais para examinar a estabilidade e estrutura da personalidade, à semelhança  do facto de ser um indivíduo ambicioso, e disposto a lutar por aquilo em que acredita, o levou a alimentar o seu interesse em encontrar um método simples de identificação dos traços estruturais, não concordando com a ideia vigente de que os traços não eram nada mais do que um conjunto de respostas, estereótipos ou funções cognitivas.

A sua conscienciosidade poderá estar reflectida na capacidade que teve para reunir uma síntese coerente e organizada sustentada por dados empíricos; também a sua abertura poderá estar relacionada com o facto de para além de se ter baseado na teoria dos traços de Eysenck, assumindo alguns dos seus pressupostos, tais como a bipolaridade dos traços, o facto de a maioria dos sujeitos pontuar no meio, bem como o facto de os traços mais fortes serem o neuroticismo e extroversão, foi mais longe tendo introduzido três novos traços, e tendo conseguido sumariar uma abordagem da personalidade mais holística e integradora.

No entanto importa considerar que se tratam apenas de especulações acerca da sua personalidade e relação com a teoria, pois e tendo sido nomeadamente uma das dificuldades encontradas na realização deste trabalho, a informação relativamente à sua biografia é extremamente escassa, não possibilitando uma suficiente compreensão da sua história de vida nas diversas dimensões. A informação disponível acerca de McCrae prende-se sobretudo com o seu percurso profissional, havendo pouco conhecimento da sua vida pessoal, relacional, sentimental, tendo sido por vezes difícil fazer uma análise da sua personalidade tendo em conta as dimensões por ele descritas.

Assim de uma forma geral tendo em conta a complexidade da personalidade no seu todo, abarcando uma série de dimensões, não tendo sido possível conhecer todas elas relativamente a McCrae, foi bastante complicado, fazer uma análise de algo de natureza tão complexa com reduzida informação e  não sendo no meu ver esta suficientemente objectiva para poder caracterizar a sua personalidade. No entanto, apesar desta limitação que se poderá prender com a própria validade da análise da sua personalidade, julgo que o trabalho foi bastante pertinente, pois julgo ter contribuído para o desenvolvimento do meu espírito crítico, tendo exigido bastante reflexão acerca do que é a personalidade, da necessidade de uma visão integradora quando procuramos perceber o seu funcionamento, das limitações da teoria de McCrae, mas também simultaneamente dos seus indiscutíveis contributos e aplicações.

Referências Bibliográficas

http:/www.Biography Page Social & Personality Psychology Compass.mht

http:/www.National Institute on Aging, Laboratory of Personality and Cognition – Robert R_ McCrae, Ph_D.htm

Feist, J., & Feist,G.J.(2008). Eysenck; McCrae e Costa: Teoria dos Traços e dos Factores.(pp412-423). In:J.Feist & G.J.Feist. TeoriasdaPersonalidade.6ªedição,São Paulo:McGraw-Hill.

Lima, M. P., & Simões, A. (002). A Teoria dos 5 Factores: Uma proposta inovadora ou apenas uma boa arrumação do caleidoscópoio personalógico. Análise Psicológica , pp. 171-179.

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